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domingo, 16 de junho de 2013
domingo, junho 16, 2013

EUA no século XIX (1 de 2) - Industrialização e expansão territorial

Conquistada a independência era necessário consolidá-la. Nesse âmbito, foi de fundamental importância a Doutrina do Destino Manifesto, segundo a qual os norte-americanos se consideravam o “povo eleito” e tinham a missão deveras difícil de comandar o mundo. Assim a ampliação do território, nas palavras de Thomas Jefferson era “ordem natural das coisas e o curso manifesto dos acontecimentos”.

E a nova nação precipitaria no decorrer do século XIX um incrível processo de expansão territorial para o oeste e industrialização do norte. Essa expansão territorial está intimamente ligada como o movimento migratório. Para ter uma ideia, no período entre 1840 e 1930 em torno de 40 milhões de pessoas abandonaram suas pátrias na Europa para se aventurar na América em busca do sonho americano. A maioria dos imigrantes era ex-artesãos esmagados pelo ímpeto da revolução nas indústrias europeias, além de uma multidão de camponeses e pequenos proprietários expulsos e desalojados de sua forma de vida tradicional.

Para essas pessoas havia o sonho de trabalho nas indústrias do leste, muitas vezes transformado tal qual na Europa na constituição de um proletariado – ou exército de mão-de-obra de reserva. Mas, num segundo momento, o sonho americano converteu-se na possibilidade de acesso facilitado a terra no “despovoado” oeste, o que indubitavelmente contribuiu para o surgimento de novos estados e incorporação de novas territorialidades. A conquista do oeste significava, igualmente, a constituição de um contingente de produtores de alimentos para as cidades e de matérias-primas para o processo de industrialização no leste americano.

Em 1862, através da Lei do Povoamento (Homestead Act), o governo americano legitima essa expansão, ofertando terras que deveriam ser cultivadas produtivamente pelo período de cinco anos, quando, então, poderiam ser reclamadas enquanto título de propriedade. A proposta do governo americano levou quase um milhão de pessoas a se estabelecerem no litoral do Pacífico. Assim, ao mesmo tempo, a intensa imigração formou um proletariado urbano no Leste, e por meio de uma “distribuição de terras” nunca dantes vista formou um campesinato livre no Oeste.

A expansão territorial foi facilitada também pelo avanço da Revolução Industrial e a incorporação dos bens de capital, em especial a ferrovia, que possibilitou interligar longas distâncias no território americano.

Por outro lado, os EUA usaram das negociações diplomáticas e conseguiram por meio da compra a incorporação de vastas regiões territoriais. Em 1803 compraram a Luisiana da França por menos de 12 milhões de dólares (Napoleão precisava de recursos para custear o seu exército) e em 1819 compraram Flórida que pertencia à Espanha.

Em sua impressionante expansão territorial e formação de uma grande nação os norte-americanos acabaram por colonizar a região do Texas, que em teoria pertencia ao México, mas efetivamente era um estado independente reconhecido pela França e pela Inglaterra e com a maioria da população de colonos norte-americanos.

Em 1845 o Texas solicitou sua admissão como parte dos EUA. Os mexicanos não aceitaram e os Estados Unidos levaram um grande exército para a região com a finalidade de garantir a incorporação. Contudo os norte-americanos aproveitavam a presença de seu exército no Texas para forçar os mexicanos a venderem outros territórios, em especial a Alta Califórnia e o Novo México. A recusa do México acabou servindo como o estopim para o início de uma guerra contra os mexicanos (1846-48).

A guerra acabou sendo vencida pelos norte-americanos e o México foi obrigado a reconhecer a anexação do Texas, além de ceder pela bagatela de 15 milhões de dólares um imenso território, incluindo a Alta Califórnia e o Novo México. Para ter uma ideia, o México perdeu metade do seu antigo território.

Ainda em 1848 (oficialmente) foi descoberto ouro na Califórnia o que acelerou ainda mais o processo de ocupação do oeste, feito por homens considerados desbravadores, pioneiros, em uma verdadeira imagem do “herói americano”. Contudo, essa ocupação encontraria a resistência de inúmeros povos indígenas que eram os verdadeiros donos desses territórios. No filme Dança com lobos podemos vislumbrar exatamente a ideia do colonizador americano na extrema fronteira e o contato com os povos indígenas.

Nesse âmbito, a Lei de Remoção dos Índios, em 1830, obrigava os indígenas a migrarem para reservas específicas, localizadas a oeste do rio Mississipi. Foi prometido que seriam respeitados os novos limites estabelecidos, o que obviamente, não aconteceu, levando a inúmeros conflitos.

Como resultado desse contato entre culturas diferentes ocorreu à efetiva aniquilação da maioria dos povos indígenas e de seus recursos de sobrevivência, como os búfalos (os norte-americanos se importavam apenas com a pele dos animais, e exterminaram as manadas). Ao mesmo tempo aconteceu a afirmação da suposta superioridade do homem branco em relação aos “peles-vermelhas”, que resultou em preconceitos e na afirmação da inferioridade da cultura indígena americana.


Abaixo, uma interessante pintura, onde surge em primeiro plano uma mulher angelical, que está carregando a luz da civilização. Junto à civilização temos os colonizadores americano, que estão levando os cabos do telégrafo. Em contraste com os "civilizadores" temos os indígenas, que incivilizados estão sendo expulsos de seus domínios. Na sequência um mapa que ilustra a expansão territorial norte-americana, com a anexação de imensas porções territoriais.


1 comentários:

Anônimo disse...
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